transtorno espectro autista
Psicologia

O TRANSTORNO do espectro autista

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Quando falamos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos referimos a uma condição que está presente desde o nascimento e que é conhecida como um transtorno do neurodesenvolvimento.

Suas características aparecem conforme a criança se desenvolve e acompanham a pessoa ao longo de sua vida, em muitos casos, os primeiros sinais são percebidos ainda antes dos 3 anos de idade.

No TEA observam-se comportamentos que resultam de alterações no funcionamento do cérebro que muitas vezes não podem ser vistas nos exames de imagem atualmente usados (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio). Por isso, o diagnóstico é baseado na clínica, ou seja, na observação dos comportamentos e características da criança, adolescente ou adulto.

O TEA é mais frequente no sexo masculino do que no feminino. Ele pode ser diagnosticado como um quadro único, em conjunto com outros quadros (por exemplo Deficiência Intelectual, Transtorno Específico de Aprendizagem e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e também ser identificado em pessoas com quadros sindrômicos (Síndrome de Down, Síndrome do X-Frágil e Complexo
da Esclerose Tuberosa, entre outros).

Os profissionais da área de saúde utilizam como base para o seu diagnóstico, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5a edição (DSM-5) (2014), que estabelece cinco principais características. São elas:

  • a presença de déficits persistentes na comunicação e interação social em diferentes contextos;
  • padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades;
  • a presença precoce dos sintomas no período do desenvolvimento;
  • prejuízos na vida social, profissional ou em outras áreas;

E o fato das dificuldades apresentadas não serem melhor explicadas por deficiência intelectual ou por atraso global do desenvolvimento. Em geral, estes pontos são mais usados pelos profissionais, mas podem ser observados de outros modos também pelos familiares e educadores, que têm papel fundamental para o diagnóstico de TEA e também para o acompanhamento a partir daí.

Alguns comportamentos que se destacam no TEA e que estão incluídos nos cinco itens apontados pelo
DSM-V são: atraso no desenvolvimento da fala, pouco contato visual, baixa interação com outras crianças e com brinquedos, dificuldades em fazer e manter amizades, muita ou pouca sensibilidade a estímulos sensoriais (por exemplo: não gostar de barulhos ou apresentar alimentação restrita), dificuldades na expressão e compreensão de sentimentos, repetição de falas ouvidas anteriormente, ritmo e entonação monótonos na fala, dificuldades de compreender metáforas e de fazer interpretações no geral, comportamentos repetitivos e rotineiros, não reagindo bem quando algo ocorre diferente do esperado, movimentos repetitivos com o corpo, como pular, girar e balançar as mãos e interesses específicos que os levam a dedicar-se muito a uma coisa só.

O TEA pode apresentar-se em diferentes níveis de gravidade, variando em nível 1 (exigindo apoio), nível 2 (exigindo apoio substancial) e nível 3 (exigindo apoio muito substancial). Deste modo, é importante ressaltar que a apresentação dos comportamentos descritos ou de outros que podem vir a ser relacionados ao TEA, pode variar de uma pessoa para a outra, seja em frequência, intensidade ou em relaçãoà sua presença ou não, bem como ocorrerá variação no grau de apoio terapêutico e de vida diária que precisará.

Algumas pessoas apresentarão muitas das características e outras apresentarão poucas. Com isso, a avaliação diagnóstica deve ser cautelosa e baseada na evolução, principalmente com as crianças, a fim de evitar que um diagnóstico seja feito de forma prematura.

Muitas características presentes no TEA também estão presentes em quadros como o TDAH, Transtornos de Ansiedade e Transtornos da Comunicação e, portanto, devem ser cuidadosamente avaliados pelos profissionais adequados, visando uma correta avaliação e diagnóstico.

A intervenção precoce é um fator que pode contribuir para diminuir os prejuízos sociais, emocionais e acadêmicos no decorrer da vida da pessoa com diagnóstico de TEA. Quando identificadas características comportamentais que remetem ao TEA, é importante que a escola e a família busquem por ajuda o quanto antes, pois assim favorecerão uma melhor evolução. Pode-se procurar pela avaliação de um psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e profissionais da área médica, como neurologista ou psiquiatra infantil.

Independente de se encontrar um nome para o que a criança eventualmente pode apresentar, o mais importante é que ela seja estimulada e trabalhada nas áreas nas quais apresenta dificuldades, visando sempre o melhor desenvolvimento possível.

Laís Faria Masulk Cardozo

  • Psicóloga formada pela Universidade Federal do Paraná
  • Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Paraná
  • Neuropsicóloga com título de especialista conferido pelo Conselho Federal de Psicologia
  • Formação em Terapia Comportamental e Terapia Comportamental Infantil
  • Atuação em clínica particular com atendimento voltado ao público infantil.

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